Futebol antigamente !!

Posted: March 23, 2012 in Uncategorized
As traves das goleiras eram feitas de madeira e nem sempre obedeciam as medidas regulamentares.

Em Ijuí, segundo depoimento que colhemos junto ao hoje saudoso João Agostini, no dia 10 de maio de 1983 (ele tinha então 83 anos de idade) e que jogou futebol nos seus primórdios, a primeira bola de couro que apareceu na então Colônia de Ijuí foi lá por 1905 ou 1906, trazida, possivelmente, por João Dico de Barros, filho de Antônio Soares de Barros (o coronel Dico), que tinha um bodegão no centro da vila.

Antes de mais nada, é bom dizer que as antigas bolas de futebol eram diferentes das que conhecemos atualmente. Eram feitas de couro marrom, com um orifício, que era chamado de ventil, para a entrada do ar, protegido por um cadarço também de couro.

Claro, estas eram as bolas utilizadas pelos praticantes desse esporte e que formavam nos primeiros times que aqui surgiram. Os meninos da época, que ensaiavam seus primeiros passos no futebol, usavam bolas de borracha, de variados tamanhos, bolas feitas de pano (uma meia cheia de retalhos, palha ou papel) ou então bolas de bexiga de boi.

O primeiro campo para a prática de futebol em Ijuí se localizava numa área descampada, onde atualmente está a Escola Estadual de Ensino Fundamental Rui Barbosa (o Ruizinho). Ali os jovens da época fizeram seu primeiro aprendizado nesse esporte e começaram a organizar suas equipes.

A “gurizada” chutava bola nas ruas ou em qualquer outro lugar, sendo um dos preferidos o campinho (de quatro ou cinco metros de largura por 10 ou 15 metros de comprimento) que existia onde hoje está a agência da Previdência Social, na rua Benjamin Constant.

Entre 1916 e 1917 foram organizados os dois primeiros times de futebol em Ijuí. Um era o Sport Club Riograndense, no qual participavam os irmãos Kurtz, o Zeca Schettert, o Alberto Vasques, o  Jorge Athanásio Joaquim Queruz e outros. O Sport Club Oriental reunia, além de João Agostini, os Steglich, o Hans Rauch, o Schneider, o Theophilo Reis, o Jorge Capssa e outros.

Lá por 1918, alguns se separaram e fundaram o Sport Club Gaúcho (não confundir com o atual Grêmio Esportivo Gaúcho). Em 19 de outubro de 1919, o Riograndense mudou sua denominação para Sport Club 19 de Outubro. Dois dias depois, 21 de outubro de 1919, o Oriental passava a se denominar Grêmio Foot-Ball Ijuhyense.

Logo o futebol se espalhou também para o interior. Na Linha 8 Leste, atual distrito de Floresta, foi fundado no dia 4 de março de 1917, o Sport Club Gaúcho, que se tornou o mais antigo clube de futebol do interior do município.

Entre seus fundadores, estavam Alberto Fuchs, Ítalo Bigolin, Roberto Eickhoff, Alf Thorstenberg, Alfredo Korndörfer e Pedro Chindangue. Pouco tempo depois, ainda em 1917 ou começo de 1918, surgiu na localidade de Dr. Bozano (atual município de Bozano), o Sport Club Riograndense, que teve entre seus fundadores César Zambonatto, Alberto Baggio, Antônio Baggio, Pedro Sanfelice, Fioravante Palha, Fernando Palha, Amadeu Zambonatto, Angelin Felipin, Ângelo Caçavara, Antônio Dalmas, Celso Zambonatto e Florentino Zambonatto.

Na mesma época, foi fundado o Sport Club Juventude, do Barreiro, que contava entre seus fundadores os irmãos Augustinho e Simão Hickenbick, Humberto e Augusto Silvello, Jacó Vione, Ângelo Menuci, João Fischer, Leopoldo Hickenbick, Bernardo Rodrigues, Vitório Fiorin e Pedro Fiorin.

Foi a partir da organização dos primeiros times na sede da vila de Ijuí, entre 1916 e 1917, que os jogos de futebol começaram a ser realizados na antiga Baixada, hoje Estádio 19 de Outubro.

O campo era cercado de tábuas de madeira, que os mais antigos ainda lembram que muitas vezes eram arrancadas para servir de lenha ou para facilitar o acesso ao local dos jogos. O campo de jogo era protegido por um corrimão, não existia tela olímpica como atualmente.

As traves das goleiras eram feitas de madeira e, muito provavelmente, nem sempre respeitavam as medidas oficiais. Claro, que nas chamadas “peladas” de antigamente (hoje a meninada ainda faz isso), as goleiras eram feitas de taquara, de ripa ou então com pequenos marcos (calçado, roupa, etc).

Nesse sentido, vamos abrir um parênteses, para ilustrar melhor a questão das goleiras. No ano de 1977, quando fomos investidos no cargo de diretor do então Conselho Municipal de Desportos – CMD e coordenamos a promoção do Campeonato Municipal de Futebol Amador, colocamos no regulamento da competição a exigência de que todos os campos dos clubes participantes deveriam fazer com que as goleiras obedecessem as medidas regulamentares (7m32cm entre os postes, medidos por dentro, e 2m44cm acima do solo).

Como era esperado, essa exigência gerou reclamações, protestos e dificuldades de cumprimento por parte de várias agremiações.

Hoje, essa exigência é cumprida por quase todas.

Como em todos os outros setores, o futebol se transformou, se modernizou. O futebol em Ijuí também sentiu os reflexos dessa modernização, em seus diferentes momentos.

Muito acentuadamente da época do amadorismo para a do profissionalismo. Pretendemos, futuramente, voltar a enfocar outros tantos aspectos da evolução do futebol ijuiense. Por hoje, ficamos por aqui.


Veja as fotos: (Fotos Acervo particular)


1. Esta era uma das bolas usadas nos jogos de futebol, feitas de couro marrom e com um cadarço protegendo o orifício de ar


2. As traves das goleiras eram feitas de madeira e nem sempre obedeciam as medidas regulamentares

 

 

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